Cirurgia Metabólica e sua importância para o controle da Diabetes

Cirurgia Metabólica é definida como qualquer intervenção sobre o trato gastrointestinal, com o objetivo de controlar a diabetes e outras doenças associadas à síndrome metabólica, por meio de mecanismos independentes da perda de peso. Para aqueles pacientes que permanecem descompensados, mesmo com todo o tratamento medicamentoso e as mudanças sobre o estilo de vida, essa cirurgia pode ser considerada uma opção terapêutica. 

A Associação Americana de Diabetes, em seu consenso de condutas de 2017, incluiu a cirurgia metabólica como uma opção entre as intervenções terapêuticas em pacientes com diabetes não controlada, e obesidade grau 1. Cientificamente, essas pessoas possuem um Índice de Massa Corporal (IMC) maior que 30 Kg/m2 - uma parcela, até então, não contemplada com a cirurgia bariátrica, e que passou a ser acompanhada, ainda no ano de 2017, pelo Conselho Federal de Medicina. 

 

Os resultados do controle da diabetes mudam de acordo com a técnica cirúrgica empregada, tornando-se mais potentes após cirurgias com mudanças na anatomia do intestino, que é o responsável pela maior parte dos mecanismos independentes da perda de peso. 

 

Diversos estudos comparam a cirurgia bariátrica em diabéticos (realizada em pacientes com IMC maior que 35 Kg/m2) com controles não cirúrgicos. Esses resultados sugerem uma melhoria dos marcadores de risco cardiovascular, como hemoglobina glicada, pressão arterial, colesterol e peso, apontando para uma diminuição de problemas de circulação e mortalidade. Uma das pesquisas, realizada com homens de elevado risco cardíaco, demonstrou uma redução de 42% de mortalidade em dez anos em comparação a um grupo com tratamento clínico, geralmente, irregular. 

 

A cirurgia metabólica em um paciente com IMC (relação peso/altura) entre 30 e 35 Kg/m2 é tão eficaz quanto as que são realizadas em pacientes mais obesos. Além disso, evidências científicas apontam que, quando associadas ao tratamento clínico, a cirurgia é segura e tem melhores desfechos glicêmicos à longo prazo, esse resultado independe do IMC e acontece por mecanismos antidiabéticos diretos, e perda de peso.

 

Tanto a cirurgia bariátrica quanto a metabólica cresceram dez vezes mais do que na última década, no entanto, essas operações são 100 vezes mais seguras nos dias de hoje, tornando-se excelentes opções terapêuticas em diabéticos tipo 2 de difícil controle. Os fatores contribuintes para essas melhorias foram a padronização do procedimento, a busca pela excelência no atendimento, a curva de aprendizado da equipe e um maior envolvimento multiprofissional na busca da redução de complicações precoces e tardias.

 

Um ponto importante a ser destacado é a necessidade da equipe multidisciplinar, em especial do endocrinologista, que deverá participar de decisões que vão desde a escolha do momento ideal para a cirurgia até o acompanhamento do paciente nos desafios do pós-operatório, objetivando não a cura, mas um controle melhor da diabetes, e uma possível diminuição das medicações por um longo prazo. Por esses motivos, procurar uma equipe com um cirurgião bariátrico e metabólico, com titulações e especialidades na área, é fundamental. 

 

Conclui-se, portanto, que a cirurgia metabólica é um método complexo, feito para tratar doenças delicadas e crônicas, como diabetes e obesidade, produzindo efeitos benéficos e sistêmicos, mas que exige a prevenção de todos os riscos, criando camadas de proteção com defeitos mínimos.