Transplante de Fígado

A cirrose hepática é uma agressão irreversível das células hepáticas, sendo esta a condição mais frequente que leva ao transplante hepático em adultos e crianças. A cirrose ocorre quando o fígado normal é substituído por tecido de cicatrização, o que diminui a função do órgão.As situações que levam à cirrose e a consequente necessidade de transplante de fígado são a hepatite crônica por vírus B ou C, doenças que comprometem as vias biliares, hepatite alcoólica, hepatite autoimune, doença hepática por esteatose, tumores e hepatite fulminante por drogas ou vírus.

 

Os pacientes candidatos ao transplante precisam ser avaliados para detectar se apresentam alguma doença que possa ser tratada com o procedimento, no entanto, em alguns casos, eles necessitam de outras opções terapêuticas associadas ao transplante. Além disso, é necessária uma investigação de outros problemas que podem impedir sua recuperação pós-transplante. É importante também avaliar se eles estão psicologicamente aptos e têm o apoio de amigos e familiares para realizar a substituição do fígado.Em casos em que a falência hepática é o resultado de abuso de álcool ou outras drogas, o paciente deverá ter um período de abstenção mínima de seis meses para ser considerado um candidato ao transplante.

 

O paciente candidato ao transplante de fígado é colocado em uma lista única, auditada e confiável, de espera estadual para transplante, de acordo com a compatibilidade sanguínea (Sistema ABO).Desde 2006, no Brasil, o critério de espera na lista respeita um índice baseado na gravidade da doença, conhecido como MELD (Model for End-Stage Liver Disease). Esse índice corresponde a um valor numérico que varia de 6 a 40, e demonstra a urgência do paciente para o transplante. Os casos mais graves apresentam MELD mais elevados, e serão priorizados. Nos casos de transplantes em crianças, o sistema é chamado de PELD.Os casos urgentes (hepatite fulminante) têm prioridade absoluta na lista de espera do transplante. 

 

A sobrevida desses pacientes é muito curta e, por isso, devem ser operados com urgência, embora a necessidade de transplantes seja consideravelmente maior que o número de doadores com morte encefálica disponíveis.O procedimento de transplante hepático leva em média de cinco a oito horas. O fígado doente é retirado por uma incisão no abdômen superior. Posteriormente, o fígado do doador é colocado na cavidade abdominal e os vasos sanguíneos são ligados às respectivas estruturas do receptor. A última etapa do transplante é a reconstrução de via biliar, que pode ser feita com o ducto biliar do receptor ou com um segmento de intestino, como nos casos de transplantes por atresia de vias biliares na criança.

 

Após a cirurgia, os pacientes permanecem em uma unidade de terapia intensiva, não havendo quaisquer complicações clínicas ou cirúrgicas, eles são encaminhados ao apartamento. O tempo de internação hospitalar médio pós-transplante varia de uma a duas semanas. A chave para entender o tratamento pós-transplante é o conceito de que o órgão transplantado é um corpo estranho. O sistema imune do receptor vai atacar o fígado transplantado num processo chamado “rejeição”.

 

Por esta razão, todos os pacientes transplantados devem receber medicações que combatam a rejeição, as chamadas drogas imunossupressoras.O uso de imunossupressores faz com que os pacientes estejam sujeitos a um maior risco de infecções oportunistas, causadas por vírus, fungos e bactérias. Por esse motivo, eles devem manter acompanhamento rigoroso, especialmente até o primeiro ano pós-operatório, para detecção precoce de eventuais complicações e intercorrências.

 

O sistema de transplante hepático é totalmente confiável e seguro, e tem mudado a vida de muitos pacientes que já não tinham mais expectativas de vida. O apoio e a conscientização da sociedade são importantes para que haja mais doações de órgãos que possam salvar a vida de mais pessoas.