Cirurgia bariátrica é uma opção segura contra obesidade?

A obesidade atinge todos os estratos etários da população, sendo um dos maiores problemas de Saúde Pública. No Brasil, metade das pessoas apresentam excesso de peso e 18,9% apresentam obesidade. Apesar da genética e dos estímulos para ingestão de comida, a obesidade é reflexo direto dos hábitos da vida moderna, ausência de atividade física e alimentação calórica, sem qualidade nutricional. 

As taxas de mortalidade entre os obesos são altas, pois o excesso de gordura agrava problemas de saúde e gera doenças físicas e psicológicas, como câncer, limitações físicas, derrame, refluxo, cirrose, infarto, hipertensão, colesterol alto, diabetes, doença renal, infertilidade, artrite, apneia do sono, destruição da autoimagem e cobranças sociais, diminuindo assim o tempo e qualidade de vida do indivíduo. 

Para classificar a obesidade, usamos a relação do peso com a altura através do Índice de Massa Corporal (IMC), mas avaliações dos distúrbios metabólicos, doenças associadas e distribuição corporal também são importantes para definir o tratamento. A primeira opção é o tratamento clínico, que inclui uma dieta saudável, exercícios físicos, medicação, acompanhamento com endocrinologista, educador físico, nutricionista e psicólogo. O objetivo é trocar o cenário de sedentarismo e da má alimentação por atividade física e uma dieta balanceada. 

Quando a obesidade prejudica a saúde e o tratamento clínico apresenta falhas, a cirurgia, conhecida como “redução de estômago” é a melhor opção. Além de reduzir o estômago ou desviar o intestino, ela age também no controle do metabolismo e modifica a saciedade. O preparo pré e pós cirúrgico deverá ser feito por uma equipe multidisciplinar, esse é o segredo para o bom resultado. 

Os pacientes aptos à cirurgia apresentam falhas no tratamento clínico e IMC acima de 40kg/m² ou entre 35 kg/m² e 40 kg/m², com problemas relacionados ao excesso de peso, como diabetes, pressão alta, refluxo, distúrbio do sono, esteatose hepática e outros. Alguns pacientes ainda não contemplados pelas normas atuais do Conselho Federal da Medicina, CFM para cirurgia bariátrica (diabéticos ou obesos grau 1) são beneficiados, em recentes estudos, por situações especiais, através da técnica da cirurgia metabólica. 

Há algumas modalidades aprovadas de cirurgia bariátrica, mas bypass gástrico e gastrectomia vertical (sleeve) são as mais realizadas e estudadas, cabendo ao médico apresentá-las ao paciente e recomendar a mais apropriada para cada caso, baseando-se nos exames, em como será o seguimento do pós-operatório, na previsão da perda de peso e na saúde do paciente. 

Diabetes e refluxo são pontos importantes a serem considerados na escolha da técnica. Atualmente, técnicas laparoscópicas, consideradas menos invasivas, ou robóticas, oferecem melhor visualização e acesso das estruturas anatômicas, diminuindo a dor, reduzindo tempo de internação e possibilitando um retorno mais rápido as atividades. 

O paciente deverá entender as novas necessidades dietéticas, a importância do controle das carências nutricionais, a rotina de exercícios e a compreensão das mudanças, adquirindo um estilo de vida saudável, de forma fácil e suave, já no pré-operatório. A cirurgia é uma parte do tratamento e, para manter o resultado, é importante a manutenção de um apoio multidisciplinar. 

A cirurgia bariátrica é, continuamente, aperfeiçoada para melhorar resultados e minimizar riscos, sendo segura e eficaz. Com as técnicas pouco invasivas, os resultados melhoraram muito e os riscos diminuíram consideravelmente. 

O peso perdido depende de alguns fatores como idade, peso inicial, comorbidades, tipo de cirurgia, exercícios, dieta, motivação e cooperação da família e amigos. A equipe é fundamental, tirando dúvidas, diminuindo riscos, colaborando para um bom resultado e reduzindo as chances de ganhar peso novamente. Os benefícios da cirurgia com a perda de peso são o controle das doenças associadas, diminuição da mortalidade, longevidade e qualidade de vida. 

Os riscos são os mesmos de outras cirurgias abdominais, devendo ser realizada em um hospital com boa estrutura e por médicos comprovadamente capacitados, atualizados e que pratiquem os procedimentos regulamentados pelo CFM e pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica.