Endometriose Intestinal

A Endometriose Intestinal é uma doença na qual o endométrio, que é o tecido que reveste internamente o útero, se desenvolvem à volta das paredes do intestino, dificultando o seu funcionamento e causando alterações dos hábitos intestinais e intensa dor abdominal, especialmente durante a menstruação. Apenas 27% dos pacientes, com endometriose, têm envolvimento intestinal, causando cicatrizes e retrações capazes de obstruir parcialmente o intestino.

A localização no intestino segue padrões bem definidos. O retossigmoide é o mais envolvido, seguido pelo intestino delgado, o ceco e o apêndice.

A doença superficial geralmente não causa sintomas, mas uma doença volumosa e invasiva pode causar problemas reais. A gravidade da doença depende da profundidade da invasão na parede do intestino.

 

Quando o reto está envolvido, frequentemente escarifica para a parte de trás do útero, causando obliteração do fundo de saco. Isso indica a presença de doença profundamente invasiva nos ligamentos útero-sacros, no fundo de saco, na vagina e geralmente na parede frontal do reto, com o que é chamado de nódulo retal.



Pode causar movimentos intestinais dolorosos, dor retal durante a relação sexual, enquanto está sentado ou com passagem de gás, além de constipação, embora a diarreia possa estar presente durante o fluxo menstrual.

 

Quando o cólon sigmoide e intestino delgado estão envolvidos por doença volumosa, os pacientes podem ter prisão de ventre, alternando com diarreia, dor, inchaço e cólicas. A maioria dos pacientes com endometriose não tem sangramento retal, embora possa haver sangramento retal e sintomas dolorosos durante o fluxo menstrual.

Os exames de imagem para o diagnóstico são: Ultrassonografia (US), US Transretal, Ecoendoscopia, US Transvaginal com preparo intestinal, Colonoscopia, Ressonância de Pelve e o exame vaginal. A doença geralmente não penetra todo o intestino, mas permanece na musculatura do intestino, assim a maioria dos pacientes terão exames negativos, e a endometriose intestinal vai requerer cirurgia para seu diagnóstico.

Laparoscopia, ainda, é o padrãoouro, pois diagnostica e trata a endometriose intestinal, determinando o grau e a extensão das lesões e permite a obtenção do diagnóstico histológico definitivo da doença. É a via de acesso preferencial, onde, além do tratamento no intestino, pode permitir algum procedimento nos ovários e anexos, até uma histerectomia em conjunto, quando avaliados e conduzidos pelo ginecologista. O cirurgião deve observar as áreas que podem estar envolvidas e saber como a doença intestinal pode aparecer, geralmente é branca devido a cicatrizes.

Nos sintomas leves, o tratamento pode ser feito com o uso de pílulas anticoncepcionais com dosagens especiais, que evitam o crescimento do endométrio e permite alívio dos sintomas. Mas, o tratamento, com melhores resultados, da endometriose infiltrativa é cirúrgico. A via de acesso depende da experiência do cirurgião, da localização, extensão e nível de infiltração, podendo associar uma terapia medicamentosa. A excisão da lesão deve ser feita sob visualização, poupando o tecido sadio adjacente ao nódulo, incluindo parede retal e do fundo posterior do saco. Há casos em que uma ressecção segmentar maior do intestino pode ser necessária e outros que apenas retirada em disco do nódulo.

A abordagem laparoscópica da endometriose pélvica grave com envolvimento retal é possível e pode ser bem sucedida; entretanto, essa cirurgia pode ser demorada, muitas vezes mais desafiadora do que a cirurgia oncológica, requerendo treinamento e experiência adicional. Uma avaliação pré-operatória precisa de uma abordagem multidisciplinar, envolvendo as habilidades dos cirurgiões do aparelho digestivo e ginecologistas, buscando melhorar a tomada de decisões cirúrgicas, relacionadas ao melhor momento e o quanto retirar do intestino, com técnicas minimamente invasivas, de preferência, assim proporcionando o melhor tratamento para cada paciente, de forma individualizada.