Cirurgia de perda de peso - Será para mim ?

Nos últimos 30 anos, as taxas de obesidade quase dobraram. No Brasil, metade da população apresenta excesso de peso e 17% de obesidade. Apesar dos fatores genéticos e das substâncias que estimulam a ingestão de comida, a obesidade é reflexo direto dos hábitos da vida moderna, ausência de atividade física e alimentação de alto valor calórico, sem qualidade nutricional.

Os maiores problemas dos obesos são: autoimagem, cobrança social, preconceitos, limitações físicas e riscos muito maiores de câncer, derrame, refluxo, esteatose hepática, cirrose, infarto, hipertensão, colesterol alto, diabetes, doença renal, infertilidade, artrite e apneia do sono. Com isso, os obesos mórbidos podem reduzir em até oito anos a expectativa de vida.

Para classificar a obesidade, utiliza- se a relação do peso com a altura e Índice de Massa Corporal (IMC), mas as avaliações dos distúrbios metabólicos e da distribuição corporal das massas são importantes para definir o tratamento. A primeira opção de tratamento é o clínico, que inclui dieta, exercícios, medicação e acompanhamento com endocrinologista, educador físico, nutricionista e psicólogo. O objetivo é trocar o cenário de sedentarismo e má alimentação pela atividade física e dieta balanceada.

Quando a obesidade prejudica a saúde e o tratamento clínico falha, a cirurgia é a opção, levando em conta o IMC e as doenças relacionadas, chamadas de “comorbidades”. O método é conhecido popularmente como “redução de estômago”, mas vai além da estrita redução do estômago ou desvio do intestino, tendo papel no controle metabólico e na modificação da saciedade. O preparo, antes e após a cirurgia, deve ser feito por uma equipe multidisciplinar, que exige profissionais indispensáveis ao bom resultado.

Os candidatos à cirurgia apresentam falha no tratamento clínico e IMC acima de 40kg/m2 ou entre 35kg/m2 e 40Kg/m2, com comprometimento da saúde em razão do excesso de peso. Alguns pacientes ainda não contemplados pelas normas atuais do CFM (Conselho Federal de Medicina) para cirurgia bariátrica (diabético obeso grau 1 e tratamento clínico ruim), são beneficiados nos recentes estudos em algumas situações especiais pela chamada cirurgia metabólica.

Há quatro modalidades aprovadas de cirurgia bariátrica: banda gástrica, duodenal switch, by pass gástrico e gastrectomia vertical (sleeve). Cabe ao médico apresentá-las ao paciente e recomendar a mais apropriada para cada caso, baseando-se nos exames, na previsão do seguimento pós-operatório, perda de peso e nas comorbidades, principalmente diabetes e refluxo. Atualmente, técnicas laparoscópicas (menos invasivas) oferecem melhor visualização e acesso das estruturas anatômicas, diminuindo dores, reduzindo tempo de internação, retorno mais rápido às atividades e perda de peso semelhante.

O paciente deve entender e concordar com as novas necessidades dietéticas, com o acompanhamento da equipe, o controle das carências nutricionais, a rotina de exercícios e a compreensão das mudanças, adquirindo estilo de vida saudável de forma fácil e suave já no pré-operatório.

A cirurgia de perda de peso é continuamente aperfeiçoada para melhorar resultados e minimizar riscos, com um conjunto de dados clínicos que suportam o uso, comprovadamente seguro e eficaz, sendo o sucesso definido ao atingir a perda de 50% ou mais do excesso de peso – mantido por ao menos cinco anos.

O peso perdido depende da idade, peso inicial, comorbidades, tipo de cirurgia, prática de exercícios, compromisso com as dietas, motivação e cooperação da família e amigos. A equipe multidisciplinar é fundamental, tirando todas as dúvidas, diminuindo riscos e colaborando para o melhor resultado.

Os benefícios da cirurgia são perda de peso, melhora das doenças associadas, diminuição da mortalidade, longevidade e qualidade de vida. Os riscos são os mesmos de outras cirurgias abdominais. O procedimento deve ser feito em hospital com ótima estrutura, cuidados especializados e por médicos comprovadamente capacitados, que pratiquem os procedimentos regulamentados pelo CFM e pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica.