Doença silenciosa

Câncer de estômago demora produzir sintomas e representa ameaça aos mais velhos.

Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (inca) apontaram que 20.520 casos de câncer de estômago surgiram no Brasil nos últimos dois anos. Para que as estatísticas não cresçam, é preciso ficar alerta: muitas vezes, os sintomas só se tornam evidentes quando o tumor já está em estágio avançado.


“O estágio inicial do câncer de estômago raramente provoca sintomas, portanto é dificilmente diagnosticado precocemente. Os sintomas podem incluir:  sensação de plenitude na parte superior do abdome, após uma refeição leve, inchaço ou desconforto no abdome superior, falta de apetite, perca de peso, azia, indigestão, náuseas, vômitos ( com ou sem sangue) e anemia, “ explica Marcelo Gonçalves, gastroenterologista e especialista em cirurgia digestiva.


A doença é mais recorrente em pessoas com idade mais avançada, principalmente homens. Cerca de 65% dos pacientes diagnosticados têm mais de 50 anos. A feirante Maria de Fátima da Silva, 58,pertence ao “grupo de risco” da doença. Tratando uma gastrite desde de 2013, ela descobriu que estava infectada Helicobacter pylori, popularmente conhecida como H.pylori. A presença da bactéria no estômago é um dos fatores de risco  relacionados ao câncer gástrico, assim como a alta ingestão de sal, o tabagismo, o consumo de álcool, o déficit no consumo de fibras e a obesidade.


“Em junho de 2016, fiz uma endoscopia e foi detectado que eu ainda estava com H.pylori. Logo depois disso, tratei uma infecção urinária com antibiótico e o médico sugeriu que eu fizesse outra endoscopia depois que acabasse de tomar o remédio, porque podia agravar a situação. Foi com esse exame que suspeitaram do meu tumor”, conta Fátima, diagnosticada rapidamente por estar com acompanhamento médico em dia.


Cirurgia por vídeo é menos invasiva
Maria de Fátima foi operada por meio da “técnica aberta” com mais incisões. Mas existe uma técnica mais moderna, a videolaparoscopia. Nesse procedimento, um tubo fino e flexível com uma câmera na ponta, laparoscópio, é inserido no paciente por meio de uma pequena abertura no abdome. O instrumento permite uma visão detalhada do estômago.


“A técnica pode ser usada tanto em casos iniciais quanto nos mais avançados. O procedimento tem o mesmo nível de segurança da técnica aberta, dura em média duas horas e representa um avanço porque são feitas menos incisões e o paciente sente menos dor, além de se alimentar e até andar mais rapidamente” conta Gonçalves, especialista nesse tratamento oncológico.


É importante destacar que, assim como em outros tipos de câncer, nem sempre a cirurgia é a única via possível de tratamento. “ A abordagem terapêutica vai depender do estágio em que se encontra a doença e poderá ser endoscópica, cirúrgica, com quimioterapia, com ou sem radioterapia antes ou depois da cirurgia, ou através de cuidados paliativos “, destaca o médico.

Saiba quando deve ficar alerta e procurar ajuda médica

Não há sintomas específicos do câncer de estômago, porém, algumas sinais, como perda de peso e de apetite, fadiga, sensação de estômago cheio, vômitos, náuseas e desconforto abdominal persistente podem indicar um doença benigna (úlcera, gastrite etc.), ou mesmo tumor de estômago.

Massa palpável na parte superior do abdômen, aumento do tamanho do fígado e presença de íngua na área inferior esquerda do pescoço e nódulos ao redor do umbigo indicam estágio avançado da doença.



Fonte: Instituto Nacional do Câncer - INCA