Diverticulite

Divertículos são projeções ou herniações laterais da parede de um órgão. A doença diverticular ou diverticulose são termos empregados para definir a presença de divertículos adquiridos ao longo do cólon, mas que podem ser congênitos, raramente associados com inflamação. Diverticulite é a apresentação mais comum da doença, com inflamação destes divertículos.

A prevalência da diverticulose é maior nos países industrializados e com o aumento da idade, superando os 30% na 5º década da vida e 50% entre 80 e 90 anos. A urbanização e as modificações no padrão da dieta, pobre em fibras e rica em proteína animal, são fatores de aumento da incidência.

As herniações ocorrem em pontos de fragilidade do intestino, secundária ao aumento da pressão luminar necessária para propulsão das fezes, onde quanto menos fibra há na luz do intestino, maior a pressão. O local mais acometido do intestino grosso é no sigmoide, localizado na região inferior esquerda do abdômen, pois têm menor diâmetro, assim exigindo mais esforço no trânsito das fezes.

Somente 20% dos pacientes com diverticulose terão diverticulite. A inflamação é atribuída à obstrução do divertículo por pequenos fragmentos de fezes e alterações da microbiota do intestino, cuja composição varia em decorrência de infecções intestinais, uso de antibióticos, dietas e cirurgias digestivas; podendo uma crise, ser o gatilho para a síndrome do intestino irritável.

Dor abdominal, distensão e flatulência, podem ser sintomas de inflamação leve. Nas diverticulites, propriamente ditas, pode haver febre e dor mais forte, geralmente, no sigmoide, sendo alguma vezes palpável. As diverticulites são complicadas em 35% das vezes com fístulas, obstruções, abscessos, dor difusa no abdômen e, até, infecções generalizadas. Há quadros também de sangramentos, mas em 85% dos casos param espontaneamente.

O tratamento da diverticulite não complicada pode ser feito, internando ou não, com mudanças dietéticas, hidratação, anti-inflamatórios, próbióticos e antibióticos, sendo normalmente bem-sucedido. Alguns pacientes terão persistência de sintomas ou recorrência de crises, que variam de 24% a 53% nos trabalhos.

Uma Tomografia deverá avaliar as formas complicadas, onde além do tratamento clínico, pode necessitar drenagens por punção de abcessos ou cirurgia, estas com grande chance do uso de colostomias. Estes riscos estão sendo diminuídos com os novos conceitos conservadores das cirurgias videolaparoscópicas, melhora no tratamento clínico e diminuição das indicações de cirurgias de urgência.

Tradicionalmente, a retirada eletiva parcial do intestino foi recomendada para jovens, doença complicada ou que sofreram 2 ou mais episódios de diverticulite não complicada. No entanto, há evidências crescentes que sugerem que o histórico natural da doença pode ser mais benigno e o risco de uma recorrência complicada que requer uma operação de emergência pode ser baixo, levando muitos a desafiar as indicações tradicionais para a cirurgia, considerado o mais rentável quando a cirurgia eletiva é realizada após 3 a 4 episódios e que a idade não muda a indicação.

Entretanto, a cirurgia eletiva pode estar associada à melhoria da qualidade de vida e redução da dor abdominal, tratamento médico e readmissão. Atualmente, o tempo ideal de cirurgia para pacientes com doença recorrente ainda não está claro; as diretrizes atuais recomendam estratégias individualizadas com base na gravidade, persistência ou cronicidade dos sintomas, qualidade de vida e condição geral do paciente.

Nos pacientes com indicativos de cirurgia, a evidência atual é que seja feita por videolaparoscopia, tanto, na maioria dos casos de urgência quanto nos, eletivos, trazendo menor tempo de internação, menor jejum, menos dor e complicações. Os pacientes devem procurar um especialista que esteja habilitado a lidar com a doença diverticular, para definir a melhor estratégia para o caso.