Doença do Refluxo Gastroesofágico pode ser tratado com cirurgia?

A Doença do Refluxo Gastroesofágico é uma das afecções mais frequentes na prática médica, havendo piora na qualidade de vida e gastos constantes.

A obesidade, a falta de atividade física, o estresse e o padrão alimentar, exercem papéis importantíssimos nesta patologia, enquanto eles não forem controlados, possivelmente o tratamento ficará mais difícil.

As queixas podem ser típicas ou atípicas, variando de queimação ou azia, até tosse crônica, asma, rouquidão, dor torácica, pneumonias, pigarro, sinusites, desgaste nos dentes, halitose, aftas e desconforto no pescoço.

Sintomas durante ou com frequência de duas vezes por semana, com história de 4 a 8 semanas, devem caracterizar portadores da doença, onde o refluxo ocasional, não significa, obrigatoriamente, ser portador da doença.

Os achados na endoscopia digestiva são bastantes variados, havendo pacientes com exame normal, mas com a doença; e outros com hérnia de hiato, feridas, estreitamentos ou mudança no padrão do “piso” do esôfago, o chamado esôfago de Barrett, que têm potencial de malignização em 0,2% a 2,1% ao ano.

A intensidade e a frequência dos sintomas são fracos preditores da presença ou gravidade da esofagite, entretanto, a duração da doença está associada ao esôfago de Barrett, presente em 10% a 15% dos pacientes com sintomas crônicos.

Nos pacientes com sintomas típicos com resposta insatisfatória com o tratamento medicamentoso e mudanças de hábito de vida, naqueles com endoscopia normal e rebeldes ao tratamento, nas manifestações atípicas e na possibilidade de doenças que atrapalhem a movimentação do esôfago, serão necessários outros exames como: manometria, pHmetria ou impedanciometria.

Medidas comportamentais e farmacológicas, têm excelentes resultados, mas depende do paciente estar ciente de que é portador de uma enfermidade crônica e, por isso, é fundamental adotar todas as medidas propostas. A educação dos pacientes quanto às modificações ao seu estilo de vida é de suma importância e devem ser discutidas com o seu médico.

Existe tratamento cirúrgico? Sim, mas é de extrema importância a conversa com o especialista, sobre os prós e os contras. O resultado é muito bom, quando realizado após uma investigação e terapêutica correta, no paciente certo, na hora certa, no local certo e com a técnica certa; caso contrário aparecerão outros sintomas, com qualidade de vida ainda ruim e as chances de maiores de recidivas. Entretanto, quando todos os fatores estão corretos, aí temos resultados ótimos.

Deve-se considerar Cirurgia: resposta insatisfatória ao tratamento clínico, nas manifestações atípicas com refluxo comprovado e dependência medicamentosa, necessidade de tratamento contínuo em jovens, custo alto do tratamento em longo prazo, hérnia de hiato sintomática e nas complicações: Barrett, estenoses, úlceras e sangramentos, com resposta insatisfatória ao tratamento. Pacientes com evolução ruim do esôfago de Barrett, podem necessitar de cirurgia ou não, combinada com retirada endoscópica da lesão.

A cirurgia, geralmente, consiste na recolocação do esôfago no abdômen, aproximação dos músculos do diafragma e envolvimento do esôfago distal pelo fundo gástrico (fundoplicatura), realizada por Laparoscopia, com pequenas incisões, baixo índice de complicação, alimentação precoce, pouca dor, pequeno tempo de internação e retorno precoce às atividades. Há outras modalidades, mas que devem ser avaliadas caso a caso.

Em caso de dúvidas, procure um especialista, pois o tratamento cirúrgico poderá ter indicação para você.