Boa alimentação previne alguns tipos de câncer

Quando se trata de câncer, a prevenção ainda é a melhor alternativa. A manutenção de hábitos saudáveis pode colaborar nesse processo, sobretudo em casos de cânceres do aparelho digestório. De acordo com dados do Instituto do Câncer José de Alencar (INCA), os que acometem essa região do corpo são mais comuns em países em desenvolvimento devido a alimentação precária de parte da população.


O cirurgião do aparelho digestório, Marcelo Gonçalves, especialista em Gastroenterologia Cirúrgica, explica que há uma relação direta entre a má alimentação e os riscos do desenvolvimento do câncer nessa região. “Sabidamente a ingestão aumentada de gordura saturada proveniente, principalmente, da carne vermelha aumenta a possibilidade. Existe também relação com a quantidade de calorias ingeridas, sendo o maior risco em pessoas obesas”, afirma.
Por outro lado, o médico esclarece que as fibras vegetais atuam no organismo como um fator protetor. “A fibra age promovendo uma maior velocidade de passagem do alimento dentro do intestino, diminuindo o tempo de contato entre as substâncias carcinogêneas (que causam câncer) encontradas nos alimentos e a parede intestinal”, ressalta.


No entanto, mesmo cuidando da alimentação, é preciso ficar atento aos sintomas que o corpo apresenta. Por isso, é fundamental conhecer o próprio organismo e entender o que é normal e quando acontece algo incomum, como aconteceu no caso da enfermeira aposentada, Maria Bernadete Silveira, de 59 anos.


Com fortes dores na região abdominal, a aposentada procurou um especialista para consulta de rotina. A princípio, acreditou-se que as dores estavam associadas ao problema de gastrite que ela já tratava e, mesmo com exames, nada foi detectado. Após cerca de três anos com dores frequentes e exames mais rigorosos, detectou-se uma semioclusão na alça do intestino delgado.


“Fui para a sala de cirurgia e tentaram desobstruir a semioclusão por vídeolaparoscopia, mas não conseguiram. Nesse procedimento encontraram um tumor, retiraram 24cm do intestino para biópsia e o resultado foi um carcinoma neuroendócrino. A partir daí, passei um ano fazendo quimioterapia e com uma alimentação restrita”, explica Maria Bernadete.


O sintoma apresentado pela enfermeira é um dos mais frequentes em pessoas que têm algum problema no aparelho digestório. Além de dores abdominais persistentes, Marcelo Gonçalves afirma que outras características comuns são “empachamento, fezes escurecidas, vômitos com sangue, dificuldade para ingerir os alimentos, vômitos de repetição, mudanças recentes na coloração da pele e do olho para amarelo, mudanças no hábito intestinal (constipação ou diarreia) por semanas, perda de peso significativa em alguns meses sem motivo aparente, aumento do volume abdominal e massa palpável.”


Porém, é necessário entender que esses sintomas e características são comuns em pessoas adultas com câncer, mas não significam, obrigatoriamente, a ocorrência da doença. Por causa disso, o recomendado é procurar um especialista assim que perceber que algo está diferente no organismo, principalmente aqueles que têm histórico familiar de câncer, pois a detecção precoce do problema proporciona um tratamento mais eficaz e uma consequente qualidade de vida.

 

Fonte: Estimativa de Incidência de Câncer no Brasil, 2017 - Cânceres do aparelho digestivo mais comuns

ESTÔMAGO: Também denominado câncer gástrico, os tumores do estômago se apresentam, predominantemente, na forma de três tipos histológicos: adenocarcinoma, linfoma e leiomiossarcoma.

Estimativa de novos casos no Brasil: 20.520, sendo 12.920 em homens e 7.600 em mulheres (2017)

Estimativa de novos casos na Paraíba: 410, sendo 230 em homens e 180 em mulheres (2017)

 

COLORRETAL: O câncer colorretal abrange tumores que acometem um segmento do intestino grosso (o cólon) e o reto. Grande parte desses tumores se inicia a partir de pólipos, lesões benignas que podem crescer na parede interna do intestino grosso.

Estimativa de novos casos no Brasil: 34.280, sendo 16.660 homens e 17.620 mulheres (2017)

Estimativa de novos casos na Paraíba: 270, sendo 120 em homens e 150 em mulheres (2017)

 

ESÔFAGO: No Brasil, os tipos de câncer de esôfago mais frequentes são o carcinoma epidermoide escamoso e o adenocarcinoma, que vem aumentando significativamente.

Estimativa de novos casos no Brasil: 10.810, sendo 7.950 homens e 2.860 mulheres (2017)

Estimativa de novos casos na Paraíba: 150, sendo 100 em homens e 50 em mulheres (2017)